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Nossos Pets, o Reiki e o Amor que Permanece

há 3 dias
6 min de leitura

Neste mês de outubro, quero dedicar meu artigo do blog à minha pequena Princesa, minha amada cachorrinha de 15 anos, que partiu no dia 5 de outubro.


Existe uma frase que diz que a única imperfeição dos cães é que eles nos deixam cedo demais, e eu concordo. Ao longo da minha vida, todas as vezes que um dos meus companheiros de quatro patas partiu, a dor foi imensa. Esses seres nos dão muito mais do que jamais poderíamos retribuir. Por mais que nos esforcemos para mantê-los felizes, saudáveis e seguros, o amor que eles nos oferecem parece infinitamente maior. Talvez seja porque o amor deles é tão puro, venha do fundo do coração e talvez seja por isso que, quando eles partem, sempre sentimos que tivemos tão pouco tempo ao lado deles.


Sabemos que a vida é uma jornada de aprendizado e crescimento e que, em algum momento, nosso tempo aqui chega ao fim. O mesmo acontece com nossos companheiros animais, entretanto, mesmo quando compreendemos isso racionalmente, aceitar essa realidade é algo completamente diferente.


Dizem que as mesmas lições se repetem até que aprendamos com elas...talvez essa seja uma das coisas que ainda estou aprendendo nesta vida, e diria que é uma das mais difíceis. Lembro-me de ter cinco anos quando o irmão da mulher que ajudava minha mãe em casa faleceu. Fiquei tão triste por ela que, com a inocência de uma criança, lhe disse: “Eu vou partir antes de todo mundo da minha família, assim não vou passar por isto”. Mas, obviamente, a vida não seguiu esse caminho...quando eu tinha onze anos, perdi meu pai. Naquela época, minha mãe me disse que a missão dele aqui havia terminado e que era por isso que ele precisava partir. Eu não conseguia entender como a missão dele já poderia ter terminado se eu tinha apenas onze anos.


Ao longo dos anos, outras perdas vieram, sobretudo dos meus cães, e, a cada vez, a mesma dor voltava. Aos poucos, é claro, fui compreendendo que a perda faz parte da vida e que precisaria aprender a conviver com ela. Talvez tenha tido a sorte de chegar a essa compreensão ainda cedo. Nos últimos cinco anos, perdi dois cães e minha mãe, um após o outro, sem contar as outras perdas que aconteceram ao longo do caminho.


Como muitos de vocês sabem, sou homeopata e médica veterinária holística. Embora nunca tenha calculado esses números formalmente, tenho quase certeza de que mais de 70% dos meus pacientes são cães e gatos adultos e idosos com doenças crônicas sérias. Ao longo da minha carreira como veterinária, portanto, também vivenciei a partida de muitos pacientes. Mesmo quando consigo contribuir para uma melhor qualidade de vida e, em alguns casos, para uma maior longevidade, ainda é doloroso ver esses seres tão especiais partirem. Mas cada um deles também me ensinou algo valioso e, tenho certeza, ensinou algo aos seus tutores. Talvez seja para este ponto que devamos direcionar parte da nossa atenção: não apenas para a dor de perdê-los, mas também para tudo o que trouxeram às nossas vidas e para tudo o que aprendemos com eles.


Olhando para esses últimos cinco anos, a primeira perda foi a do meu amado Chiquinho. Foi ele quem me apresentou ao Reiki e despertou em mim o interesse pela pesquisa. Sou imensamente grata por tudo o que ele trouxe à minha vida, especialmente por ter me conduzido a esse caminho que, anos depois, se tornou uma fonte de força quando precisei enfrentar a doença e a partida da minha mãe. Não tenho certeza de que teria atravessado aquele período da mesma maneira sem o Reiki.


Depois da partida de Chiquinho, iniciei minha jornada no Reiki, tornei-me Mestre de Reiki e comecei a oferecer essa terapia à Princesa e aos meus pacientes. Também passei a compartilhar essa prática com meus clientes e tutores de animais, incentivando-os a conhecer seus benefícios. Com o tempo, aprofundei-me na pesquisa sobre Reiki em animais, com a esperança de contribuir para ampliar a conscientização do público e dos meus colegas veterinários sobre a importância da conexão corpo-mente para o bem-estar dos nossos queridos animais. Em meio a toda a dor de perder Chiquinho, algo significativo estava acontecendo. Sua partida marcou uma grande transformação na minha vida pessoal e profissional.


E agora, minha pequena Princesa… Ainda estou vivenciando o luto e tentando compreender o que sua partida significa para mim. Princesa era uma cadelinha forte, cheia de vida e feliz. Foi doloroso vê-la perder gradualmente suas forças durante os últimos meses de vida. De certa forma, isso me fez lembrar do que aconteceu com minha mãe, que sempre havia sido uma mulher forte, ativa e destemida antes de se tornar cada vez mais frágil. Acho que essa transformação, às vezes, pode doer ainda mais do que a própria partida. Pelo menos, é assim que me sinto. Existe algo profundamente doloroso em ver alguém em quem sempre nos apoiamos se tornar alguém que agora depende de nós para atravessar a última etapa da vida. Os papéis se invertem, e precisamos aprender a cuidar daqueles que sempre nos pareceram tão fortes.


Não pude estar ao lado da Princesa no dia em que ela partiu, porque estava no exterior participando de um congresso. Às vezes, me pergunto se houve alguma razão para ela ter escolhido aquele momento, quando eu estava longe, talvez poupando-me de parte da dor de presenciar seus últimos instantes. Não tenho como saber, mas encontro conforto em me permitir considerar essa possibilidade.


Recorri ao Reiki para me sentir conectada a ela, enviar todo o meu amor e conforto e acompanhá-la em sua transição, mesmo à distância. E tenho quase certeza de que o Reiki continua nos mantendo conectadas.


Princesa partiu apenas dois dias depois do painel sobre Reiki Animal do qual participei no International Reiki Research Conference. Durante o painel, ouvi Kathleen Prasad explicar que, no Animal Reiki, não devemos tentar consertar as coisas. Em vez disso, precisamos abrir mão do controle e confiar que os animais sabem o que é melhor para eles. Suas palavras me tocaram profundamente. Como veterinária, estou acostumada a tentar consertar as coisas. Observo, investigo, busco soluções e faço tudo o que está ao meu alcance para ajudar meus pacientes a se sentirem melhor. Com a Princesa, fiz exatamente a mesma coisa… mas talvez precisasse olhar para aquela situação de outra maneira. Talvez, em algum momento, ajudar não significasse consertar. Talvez significasse aceitar aquilo que eu não podia mudar, abrir mão da necessidade de controlar o desfecho e oferecer a ela amor, conforto e paz enquanto se aproximava do fim da vida...ainda estou aprendendo o que isso significa.


Sabendo que muitos tutores passam por experiências semelhantes, quis escrever este artigo para compartilhar a importância que o Reiki teve e continua tendo na minha vida enquanto atravesso o luto. Ele não eliminou minha dor, nem me deu todas as respostas, mas me ofereceu conforto, força e uma maneira de continuar conectada ao amor, mesmo quando preciso enfrentar a separação. Tenho esperança de que as perdas e as mudanças que vivenciamos ao longo da vida possam nos oferecer oportunidades de aprendizado e crescimento. Mas isso não significa que precisamos encontrar uma lição em cada perda ou compreendê-la imediatamente. Às vezes, simplesmente precisamos de tempo para viver o luto e, aos poucos, encontrar nosso próprio caminho para atravessá-lo.


A todos os tutores que estão enfrentando a dor de perder um companheiro amado, o Reiki pode oferecer uma maneira de cultivar momentos de calma e conforto durante esse período tão difícil. Cada pessoa vivencia o luto de uma forma diferente, e não existe uma única maneira certa de atravessá-lo.


Nossos animais podem partir fisicamente, mas o amor que compartilhamos com eles não desaparece. Ele permanece nas nossas lembranças, nas transformações que inspiraram em nós e na maneira como continuamos a levá-los conosco ao longo da vida. Chiquinho me conduziu ao Reiki. O Reiki me ajudou a enfrentar a doença e a partida da minha mãe. E agora, com a Princesa, estou aprendendo novamente que esse caminho nem sempre consiste em encontrar uma maneira de curar ou consertar aquilo que dói. Às vezes, trata-se de soltar, deixar ir e confiar no processo, mesmo quando nosso coração ainda não está preparado.


A todos os animais que compartilharam nossas vidas, nos ensinaram, nos confortaram e nos amaram de maneira tão incondicional, que possamos sempre nos lembrar da sorte que tivemos por tê-los ao nosso lado.


Só por hoje, seja grato por tudo o que seus pets lhe ensinam e por todas as belas lembranças que vocês compartilham.



 
 
 

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